Adeus ao Professor Carlos Gomes, o mestre que ensinava matemática e também lições de vida

Adeus ao Professor Carlos Gomes
Adeus ao Professor Carlos Gomes

São Carlos perdeu nesta terça-feira, 13 de outubro, aos 88 anos, um daqueles professores que não cabem apenas nas páginas de um diário de classe. O professor Carlos Gomes, que marcou gerações de estudantes da Escola Estadual Álvaro Guião, partiu deixando uma herança que nenhuma fórmula matemática é capaz de calcular: a gratidão de quem teve o privilégio de ser seu aluno.

Há professores que passam pela nossa vida. Outros permanecem nela para sempre. Carlos Gomes pertencia a essa segunda categoria.

Quem estudou no Álvaro Guião e teve aulas com ele certamente se lembra de seu jeito peculiar de ensinar. Era um professor de personalidade forte, dono de um humor muito próprio e de uma maneira de conduzir a sala que, às vezes, fazia parecer que estava bravo. Mas quem o conhecia de verdade sabia que, por trás daquela postura aparentemente bravona (era tudo mentira, ele era doce como pessoa), existia um educador profundamente comprometido com seus alunos.

Era aquele tipo de professor que não precisava fazer grandes discursos para transmitir grandes ensinamentos.

A matemática era sua disciplina. Os números, as equações e os problemas faziam parte de sua rotina. Mas Carlos Gomes ensinava algo que não estava nos livros didáticos: ensinava a enfrentar a vida.

Guardo uma lembrança particularmente especial de suas aulas. Em uma época em que o vestibular parecia um monstro assustador para qualquer estudante, o professor Carlos Gomes simplesmente evitava pronunciar aquela palavra.

Não falava em vestibular.

Preferia dizer, com sua tranquilidade característica:

“Quando chegar aquele dia, vocês tenham calma e façam as questões com tranquilidade.”

Era uma frase aparentemente simples. Mas havia nela uma sabedoria extraordinária.

Enquanto tantos enxergavam naquela prova uma espécie de sentença sobre o futuro, Carlos Gomes procurava retirar dos ombros de seus alunos o peso da ansiedade. Ensinava que o conhecimento precisava caminhar acompanhado da serenidade.

Talvez nem ele imaginasse o quanto aquelas palavras permaneceriam conosco.

Porque, com o passar dos anos, descobrimos que a vida é cheia de provas. Algumas têm questões de matemática. Outras exigem coragem, paciência, equilíbrio e sabedoria. E, em muitas delas, a melhor resposta continua sendo aquela recomendação do velho mestre: tenham calma.

Carlos Gomes era um professor de primeira linha. Daqueles que conquistavam respeito não pela imposição, mas pela competência, pela personalidade e pela capacidade de transformar uma aula em uma experiência que atravessaria décadas.

Seu jeito bem-humorado, muito peculiar, fazia parte de uma época em que a relação entre professores e alunos construía memórias profundas. Ele tinha presença. Tinha autoridade. E, sobretudo, tinha algo que não se aprende em nenhuma faculdade: o dom de ensinar.

O Álvaro Guião foi cenário de muitas histórias. Pelas suas salas passaram milhares de jovens, cada um carregando sonhos, inseguranças e expectativas. E ali estava Carlos Gomes, diante do quadro, ensinando muito mais do que fórmulas.

Hoje, quando recebemos a notícia de sua partida, não perdemos apenas um antigo professor de matemática. Perdemos uma referência da educação são-carlense.

E há uma tristeza particular na despedida de um mestre. É como se uma parte da nossa juventude também se despedisse. Voltamos mentalmente àquela sala de aula, às carteiras, ao quadro, às explicações e à voz que um dia nos ensinou a resolver problemas.

De repente, percebemos que aquelas aulas nunca terminaram verdadeiramente.

Continuaram conosco na universidade, no trabalho, nas decisões difíceis e nos momentos em que foi necessário respirar fundo e enfrentar os desafios com tranquilidade.

O professor Carlos Gomes ensinou números, mas seu maior resultado foi humano.

A educação de São Carlos está mais triste neste 13 de outubro de 2026. O Álvaro Guião perde um pedaço importante de sua história. E seus antigos alunos perdem alguém que ajudou a construir aquilo que são hoje.

Mas existe algo que a morte não consegue apagar: a influência de um bom professor.

Ela permanece em cada aluno que aprendeu, em cada lembrança compartilhada e em cada ensinamento que continua fazendo sentido, mesmo depois de tantos anos.

Professor Carlos Gomes, quando chegar aquele dia, como o senhor costumava dizer, tentaremos manter a calma.

Afinal, foi isso que o senhor nos ensinou.

Muito obrigado, professor. Sua última aula não terá despedida, porque seus ensinamentos continuarão vivos em todos nós.

Informações sobre a despedida do professor Carlos Gomes

O professor Carlos Gomes faleceu nesta terça-feira, 13 de outubro de 2026, aos 88 anos. Nascido em 25 de setembro de 1938, deixa uma trajetória marcada pela dedicação à educação e pela lembrança de gerações de estudantes.

O Grupo Santa Cruz informa que a cerimônia de despedida será realizada nesta quarta-feira, 14 de outubro de 2026, no Santa Cruz Cerimoniais, em São Carlos.

Velório: das 13h às 17h.

Local: Santa Cruz Cerimoniais, São Carlos (SP).

Aos familiares, amigos, antigos colegas de profissão e aos incontáveis alunos que tiveram suas vidas marcadas pelo professor Carlos Gomes, nossos sinceros sentimentos.

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