A professora Natália de Souza Correia, do Departamento de Engenharia Civil (DECiv) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), recebeu um dos principais reconhecimentos internacionais de sua área. A docente foi contemplada com o IGS Award – Technical Publications, concedido pela International Geosynthetics Society (IGS) por sua contribuição técnico-científica ao desenvolvimento dos geossintéticos.
A premiação foi entregue em setembro durante a 13th International Conference on Geosynthetics (13 ICG), realizada em Montreal, no Canadá. O congresso é considerado o principal encontro internacional dedicado à pesquisa e às aplicações desses materiais.
Concedido a cada quatro anos, o IGS Award reconhece trabalhos de destaque para o avanço científico e tecnológico da área. A premiação existe desde a década de 1990 e possui alcance internacional.
Pesquisa desenvolvida na UFSCar ganha reconhecimento internacional
Os geossintéticos são materiais produzidos principalmente a partir de polímeros e utilizados em diferentes tipos de obras de engenharia. Entre suas aplicações estão o reforço, a drenagem e a impermeabilização de solos e pavimentos.
No caso de Natália Correia, o reconhecimento está relacionado às suas publicações e documentos técnicos sobre o comportamento da aderência entre interfaces de revestimentos asfálticos reforçados com geossintéticos.
A pesquisadora também desenvolve estudos envolvendo fresagem e reciclagem de sistemas de pavimentos reforçados, trabalhos que contribuem para ampliar o conhecimento sobre o desempenho desses materiais na infraestrutura viária.
“Foi uma surpresa e uma emoção muito grande e, ao mesmo tempo, uma sensação de realização por uma trajetória de quase 20 anos dedicada à pesquisa em geossintéticos”, afirmou a professora.
Trabalho reúne pesquisadores brasileiros e estrangeiros
A docente da UFSCar atua especialmente na aplicação de geossintéticos em pavimentos e mantém colaboração com pesquisadores do Brasil e de outros países.
Para Natália, o prêmio também representa o resultado de um trabalho desenvolvido coletivamente ao longo dos anos.
“Vejo o prêmio também como resultado de um trabalho coletivo, construído com alunos e colegas pesquisadores ao longo dos últimos anos. É também um reconhecimento à pesquisa brasileira e à contribuição que temos dado internacionalmente para o desenvolvimento dos geossintéticos”, destacou.
A conquista amplia a projeção internacional das pesquisas desenvolvidas em São Carlos, cidade que concentra importantes universidades, laboratórios e centros de produção científica.
Prêmio tem ligação especial com trajetória acadêmica
A premiação possui ainda um significado particular na trajetória da pesquisadora.
Natália Correia iniciou sua atuação nessa área em 2008, trabalhando com o professor Benedito de Souza Bueno (in memoriam), da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), que foi seu orientador.
Bueno recebeu o IGS Award naquele mesmo ano.
“Comecei nessa área em 2008 com o professor Bueno, o último brasileiro a receber o IGS Award naquele mesmo ano. Por isso, receber esse reconhecimento 18 anos depois tem um significado muito especial para mim”, contou.
A relação entre os dois momentos acrescenta uma dimensão histórica à conquista: quase duas décadas depois do início de sua trajetória na área, a pesquisadora recebe o mesmo reconhecimento internacional conquistado por seu orientador.
Apenas três brasileiros haviam recebido prêmio na categoria
Segundo a professora, o reconhecimento também possui importância institucional para o Departamento de Engenharia Civil e para a própria UFSCar.
“Esse reconhecimento é muito importante para o DECiv e para a UFSCar porque dá visibilidade internacional à pesquisa que desenvolvemos no Brasil. Este prêmio existe desde 1990 e apenas três brasileiros haviam ganho nesta categoria”, ressaltou.
O resultado coloca novamente a pesquisa desenvolvida em São Carlos em evidência no cenário internacional da engenharia.
UFSCar participou de congresso internacional no Canadá
A entrega do prêmio ocorreu durante o 13 ICG, que reuniu pesquisadores, profissionais, empresas e instituições de diversos países para discutir avanços científicos e tecnológicos relacionados aos geossintéticos.
Além da professora Natália Correia, a UFSCar esteve representada por pesquisadores e estudantes ligados ao Laboratório de Geotecnia (LabGeo) e ao Grupo de Estudos em Geotecnia e Geossintéticos (GEGEOS).
A participação amplia a presença da Universidade no intercâmbio internacional de conhecimento nas áreas de infraestrutura e geotecnia e reforça a inserção da pesquisa produzida em São Carlos nos debates científicos realizados fora do país.
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