Relatório mostra como chuvas intensas podem impactar São Carlos

Um relatório elaborado pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de São Carlos aponta que o município permanece vulnerável a episódios de chuva intensa, especialmente quando grandes volumes de água caem em um curto intervalo.
Um relatório elaborado pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de São Carlos aponta que o município permanece vulnerável a episódios de chuva intensa, especialmente quando grandes volumes de água caem em um curto intervalo.

Um relatório elaborado pelo Departamento de Proteção e Defesa Civil de São Carlos aponta que o município permanece vulnerável a episódios de chuva intensa, especialmente quando grandes volumes de água caem em um curto intervalo. O documento analisa os riscos de enxurradas, alagamentos, enchentes e inundações e apresenta o plano de contingência municipal diante de eventos meteorológicos extremos.

O estudo foi preparado após o temporal que atingiu Ribeirão Preto e outras cidades da região no dia 24 de julho de 2026. Na ocasião, o fenômeno foi acompanhado por ventos de até 120 km/h, granizo e elevada precipitação, provocando danos de grande proporção.

Segundo o levantamento, Ribeirão Preto, Pradópolis, Guariba, Taquaritinga, Nova Europa, Boa Esperança e Cândido Mota aparecem entre os municípios atingidos. O balanço registrado no relatório inclui aproximadamente 200 postes danificados, cerca de 200 árvores derrubadas, destelhamentos em imóveis públicos e privados, avarias em estruturas de telefonia e televisão, veículos atingidos, prejuízos na agricultura e na produção avícola, pessoas feridas e a morte de um idoso.

Embora São Carlos não tenha sofrido impactos da mesma dimensão, o episódio levou a Defesa Civil municipal a reavaliar os riscos existentes na cidade. Imagens do radar meteorológico da Unesp de Bauru mostram que uma área de instabilidade se aproximava do município durante a madrugada do dia 24. Às 2h59, o sistema estadual emitiu um alerta informando que a chuva registrada em Araraquara se deslocava em direção a São Carlos, acompanhada por raios e vento.

Julho teve chuva muito acima da média histórica

Um dos dados que mais chamam a atenção no relatório é o volume acumulado em São Carlos durante julho de 2026. O município chegou a 78 milímetros, enquanto a média calculada para o mês ao longo de 19 anos é de 40,18 milímetros.

Isso significa que o volume de chuva ficou aproximadamente 94% acima da média histórica de julho. O índice também superou significativamente os 26,1 milímetros considerados normais para o período na tabela apresentada pela Defesa Civil.

O documento mostra ainda que São Carlos já enfrentou anos com elevados acumulados anuais. Em 2023, por exemplo, foram registrados 2.400,63 milímetros. Em 2015, o total chegou a 2.199,9 milímetros e, em 2016, a 2.012,9 milímetros.

Drenagem não suporta determinados episódios extremos, diz relatório

A análise técnica chama a atenção para a capacidade do sistema de drenagem urbana. De acordo com o relatório, os sistemas de macro e microdrenagem existentes atualmente não conseguem absorver todo o volume de água produzido por precipitações muito intensas e concentradas, um fator comum em cidades do porte de São Carlos.

O problema é agravado pela impermeabilização do solo urbano. Com menos áreas capazes de absorver a chuva, uma parcela maior da água escoa pela superfície, aumentando rapidamente o nível de córregos e o risco de enxurradas.

O documento destaca particularmente o ponto em que o Córrego Mineirinho deságua no Rio Monjolinho. Segundo a Defesa Civil, a vazão nesse trecho é menor do que a necessária, além de haver necessidade de limpeza e desassoreamento frequentes. Chuvas de aproximadamente 35 milímetros já podem ser suficientes para provocar o transbordamento sobre a pista da avenida, criando risco de veículos ou pessoas serem arrastados para o rio.

A Defesa Civil observa que, após obras realizadas sob a Avenida José Pereira Lopes, não foram registrados novos alagamentos na Rotatória do Cristo desde 2024. Entretanto, ocorrências ainda foram verificadas na região da rotatória da Avenida Bruno Ruggiero Filho, com interdição da pista para o trânsito de veículos.

O mapa de drenagem incluído no relatório classifica partes da cidade como áreas com drenagem completa, parcial ou inexistente, além de identificar pontos sujeitos a alagamentos. Outro levantamento destaca áreas vulneráveis na região central, no Kartódromo e na Rotatória do Cristo, com indicação de locais seguros para encontro em situações de emergência.

Histórico revela recorrência de alagamentos

O relatório reúne registros de ocorrências hidrometeorológicas desde 2005. O histórico mostra que a Rotatória do Cristo, a Praça Itália, o CDHU da Vila Isabel, o Mercado Municipal, o Kartódromo, a região da Cidade Aracy e diferentes trechos dos córregos Gregório e Mineirinho aparecem repetidamente entre os locais afetados.

Um dos episódios mais graves ocorreu em 28 de dezembro de 2022, quando foram registrados 242 milímetros de chuva. Naquele dia, houve uma morte por enxurrada no bairro Azulville, alagamento de aproximadamente 120 estabelecimentos no entorno do Mercado Municipal, além de ocorrências na Praça Itália, Lagoa Serena, Parque Ecológico, Kartódromo, Valparaíso, Varjão e Quinta da Felicidade. O município declarou situação de emergência.

Os registros também mostram que o impacto não depende apenas do volume total. Chuvas menores já provocaram transtornos em pontos específicos, dependendo da intensidade, duração, localização da tempestade e das condições dos córregos e das redes de drenagem.

Mudança no comportamento das tempestades

Na avaliação apresentada pela Defesa Civil, houve uma mudança perceptível no comportamento das chuvas a partir de 2015. O relatório relaciona essa transformação às mudanças climáticas e afirma que episódios associados a frentes frias passaram a dividir espaço com tempestades convectivas isoladas.

Essas formações podem ter poucos quilômetros de extensão, mas são capazes de produzir muita chuva em curto espaço de tempo, acompanhada por rajadas de vento, raios e granizo. O resultado pode ser a ocorrência de inundações repentinas, conhecidas como flash floods, com elevado potencial de danos materiais e risco à população.

A característica localizada dessas tempestades também dificulta a previsão com grande antecedência. Em alguns casos, uma região da cidade pode receber chuva muito intensa enquanto outros bairros registram volumes menores.

Plano mobiliza diferentes serviços municipais

O plano de contingência prevê uma atuação integrada entre Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, Guarda Municipal, Polícia Militar, SAMU, equipes de trânsito, CPFL, SAAE e diferentes secretarias municipais.

As ações incluem poda e retirada de árvores, limpeza de vias, manutenção de córregos, bocas de lobo e bueiros, fornecimento emergencial de água potável, atendimento a animais, apoio social às famílias atingidas e preparação de quadras esportivas para eventual acolhimento.

Entre os recursos considerados necessários estão caminhões, retroescavadeiras, pás-carregadeiras, motosserras, bombas para retirada de água, geradores, tendas, equipamentos de proteção, materiais para isolamento de áreas e um estoque de 4 mil metros quadrados de lonas plásticas.

O relatório reforça que a resposta rápida depende não apenas da atuação da Defesa Civil, mas da mobilização coordenada de diferentes órgãos públicos e concessionárias. A principal preocupação está nos eventos de curta duração e alta intensidade, capazes de transformar ruas e avenidas em corredores de enxurrada antes que as equipes consigam realizar todas as interdições necessárias.

Diante do histórico de ocorrências e da limitação da infraestrutura existente, a orientação é para que moradores evitem atravessar áreas alagadas, respeitem bloqueios, não permaneçam próximos de árvores, postes e estruturas metálicas durante tempestades e acompanhem os alertas oficiais da Defesa Civil.

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