Relíquia do coração de São Carlos Borromeu será recebida na Catedral; Veja programação

Relíquia do coração de São Carlos Borromeu será recebida na Catedral
Relíquia do coração de São Carlos Borromeu será recebida na Catedral

A cidade que leva o nome de São Carlos Borromeu viverá três dias de programação religiosa especial entre 20 e 22 de agosto de 2026. A Catedral de São Carlos Borromeu receberá uma imagem peregrina com relíquia do coração do santo, considerado uma das grandes figuras da Igreja Católica no século XVI.

A programação ganha significado especial em 2026 por marcar os 450 anos da chamada “Peste de Milão”, epidemia que atingiu a região italiana em 1576 e ficou profundamente ligada à história de São Carlos Borromeu.

Na época, como arcebispo de Milão, São Carlos teve atuação destacada na assistência à população atingida pela peste. Registros históricos ressaltam sua participação na organização do socorro aos doentes e necessitados durante a epidemia. Em visita a Arona, em 1984, São João Paulo II recordou justamente a atuação de Borromeu durante a peste de 1576, destacando sua dedicação na organização da assistência às vítimas.

Relíquia do coração de São Carlos Borromeu

A devoção tem uma ligação histórica importante com Roma. O coração de São Carlos Borromeu é preservado como relíquia na Basílica dos Santos Ambrósio e Carlos, conhecida como San Carlo al Corso, em Roma.

São João Paulo II mencionou em diferentes ocasiões a existência da relíquia, lembrando que o corpo de São Carlos repousa na Catedral de Milão enquanto seu coração é conservado em Roma.

A programação em São Carlos ocorre em um momento no qual a própria Catedral vem ampliando sua ligação com a tradição das relíquias católicas. Em maio deste ano, o Vatican News destacou iniciativas para transformar a Catedral de São Carlos Borromeu em uma referência no estudo, preservação e devoção às relíquias sagradas.

Programação começa no dia 20 de agosto

Segundo a programação divulgada pela Catedral de São Carlos Borromeu, a chegada da relíquia acontecerá na quinta-feira, 20 de agosto.

Às 19h, estão previstas a chegada da relíquia e a celebração de uma missa. Logo depois, às 20h, haverá uma palestra sobre a vida de São Carlos Borromeu.

As celebrações continuam durante toda a sexta-feira.

Sexta-feira, 21 de agosto

Às 9h, haverá missa presidida pelo padre Robson.

Ao meio-dia, a programação prevê missa com o padre Marcos, CS. Às 15h, haverá nova celebração, desta vez com o padre Jonas.

Encerrando as atividades do dia, às 19h, será celebrada missa com Dom Luiz Carlos.

Sábado, 22 de agosto

No último dia da programação, haverá missa às 9h, presidida pelo padre Carlos Alberto.

Às 11h30, está prevista a bênção dos sinos da Catedral de São Carlos Borromeu, encerrando a programação divulgada.

A Catedral informa ainda que haverá a bênção de São Carlos aos doentes em todas as missas. Também estão previstas as presenças da irmã Leocádia e do padre Marcos Henrique, scalabrinianos.

Quem foi São Carlos Borromeu?

São Carlos Borromeu nasceu em Arona, na Itália, em 1538, em uma família da nobreza. Sua trajetória, entretanto, acabaria profundamente ligada à renovação da Igreja Católica durante um dos períodos mais conturbados do cristianismo europeu.

Ainda muito jovem, tornou-se cardeal e posteriormente arcebispo de Milão. Sua atuação teve importância particular no contexto do Concílio de Trento, realizado no século XVI. São João Paulo II o descreveu como um dos protagonistas da profunda reforma da Igreja promovida naquele período e destacou sua contribuição para a implantação dos seminários destinados à formação dos sacerdotes.

Borromeu procurou aplicar na Arquidiocese de Milão as reformas estabelecidas pelo Concílio. Realizou visitas pastorais, promoveu sínodos, trabalhou pela formação do clero e tornou-se conhecido pela disciplina pessoal e pela intensa atividade pastoral.

Mas um dos episódios que mais marcariam sua história aconteceu em 1576.

São Carlos Borromeu e a peste de Milão

Quando uma grave epidemia de peste atingiu Milão, São Carlos permaneceu na região e participou diretamente da assistência à população.

A atuação durante a epidemia tornou-se uma das passagens mais conhecidas de sua biografia. João Paulo II recordou que, diante da peste, o arcebispo tornou-se um incansável organizador de socorro e de uma estratégia religiosa, social e assistencial destinada às vítimas.

A tradição católica também associa São Carlos às procissões realizadas naquele período. Segundo relato publicado pelo Vatican News, durante a peste ele promoveu procissões com uma relíquia ligada à Paixão de Cristo, suplicando pelo fim da epidemia.

Sua dedicação aos pobres e enfermos contribuiu decisivamente para a imagem que atravessaria os séculos: a de um bispo que não se afastou de sua população durante uma das maiores crises sanitárias de sua época.

Morte e canonização

São Carlos Borromeu morreu em 3 de novembro de 1584, aos 46 anos.

Sua canonização ocorreu em 1º de novembro de 1610. Quatro séculos depois, em 2010, o papa Bento XVI recordou Borromeu como um grande pastor e destacou que sua reforma da Igreja começava pela transformação da própria vida.

A Igreja celebra sua memória litúrgica em 4 de novembro.

Seu corpo encontra-se na Catedral de Milão, enquanto a relíquia de seu coração é conservada em Roma.

Mais de quatro séculos depois de sua morte, o nome de São Carlos Borromeu permanece especialmente presente no interior paulista. Ele é o padroeiro da cidade e da Diocese de São Carlos, fazendo com que a passagem da relíquia de seu coração pela Catedral que leva seu nome tenha um simbolismo particular para os fiéis são-carlenses.

Programação especial será realizada de 20 a 22 de agosto na Catedral e recordará também os 450 anos da Peste de Milão, episódio marcante da vida de São Carlos Borromeu.
Programação especial será realizada de 20 a 22 de agosto na Catedral e recordará também os 450 anos da Peste de Milão, episódio marcante da vida de São Carlos Borromeu.

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