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A experiência não envelhece: uma lição que vem dos corredores do Savegnago em São Carlos

A experiência não envelhece: uma lição que vem dos corredores do Savegnago em São Carlos

A experiência não envelhece: uma lição que vem dos corredores do Savegnago em São Carlos

Há atitudes que merecem ser reconhecidas publicamente. Não porque envolvam grandes investimentos, campanhas publicitárias milionárias ou discursos elaborados sobre responsabilidade social. Mas porque representam algo que deveria ser natural em nossa sociedade e que, infelizmente, ainda parece distante da realidade de muitas empresas: reconhecer o valor de quem já viveu bastante, acumulou experiências e continua tendo muito a oferecer.

Tenho observado algo muito interessante na loja 35 da rede de supermercados Savegnago, em São Carlos. A presença de trabalhadores mais experientes, pessoas de idade mais avançada, desempenhando diferentes funções no estabelecimento. Estão na organização dos carrinhos, na reposição de mercadorias e também nos caixas.

E estão trabalhando. Trabalhando bem. Com dedicação, educação e uma disposição que merece ser destacada.

Outro dia, passei pelo caixa de uma senhora extremamente simpática. Daquelas pessoas que tornam uma atividade corriqueira, como pagar as compras, uma experiência agradável. Gentil, atenciosa, um verdadeiro doce de pessoa. Não sei sua história, não sei há quanto tempo trabalha ali, tampouco conheço os caminhos que percorreu até chegar àquela função. Mas sei reconhecer quando alguém trata o próximo com respeito e carinho.

Ontem, vivi outra situação semelhante. Estava levando meu carrinho de compras até o local onde ficam organizados quando um senhor, funcionário do supermercado, veio ao meu encontro para recolhê-lo antes mesmo que eu terminasse o trajeto.

Um gesto simples. Educado, gentil, espontâneo.

Pode parecer pouco. Não é.

Esses pequenos encontros dizem muito sobre o que significa trabalhar com dignidade, sentir-se útil e participar ativamente da vida em sociedade.

E quero deixar algo absolutamente claro: este artigo não é uma propaganda do Savegnago. Não se trata de publicidade, de parceria comercial ou de qualquer interesse empresarial. É simplesmente o reconhecimento de uma atitude que considero importante e que merece ser compartilhada.

Vivemos em uma sociedade que, muitas vezes, parece estabelecer uma espécie de prazo de validade para as pessoas. Como se a capacidade profissional estivesse obrigatoriamente associada à juventude. Como se cabelos brancos fossem sinônimo de limitações, e não de experiências acumuladas.

Quantas portas se fecham para alguém simplesmente porque passou dos 50, dos 60 ou dos 70 anos?

Quantos profissionais competentes, responsáveis e dispostos a trabalhar acabam ignorados em processos seletivos porque alguma empresa decidiu, equivocadamente, que experiência demais é um problema?

Existe uma contradição curiosa nisso tudo. O mercado exige maturidade, responsabilidade, comprometimento e capacidade de relacionamento. Mas, em determinadas situações, despreza justamente aqueles que passaram décadas desenvolvendo essas qualidades.

É evidente que a idade, por si só, não determina competência. Há excelentes profissionais jovens, assim como há excelentes profissionais mais velhos. O que deveria importar é a capacidade de desempenhar uma função, a disposição para aprender, o respeito pelo trabalho e a maneira como cada pessoa contribui para o ambiente profissional.

E é justamente isso que me chama a atenção no supermercado.

A presença desses funcionários mais experientes não impede que o estabelecimento continue funcionando com trabalhadores jovens. Pelo contrário. As gerações convivem, dividem responsabilidades e participam da mesma cadeia produtiva.

O jovem oferece suas habilidades, seu entusiasmo, suas perspectivas. O trabalhador mais velho traz sua bagagem, sua vivência e conhecimentos construídos ao longo dos anos. Ambos têm valor. Ambos têm espaço. Ambos são necessários.

O mercado de trabalho não deveria ser uma disputa entre gerações, mas um lugar de encontro entre elas.

Também existe uma dimensão humana que não pode ser ignorada.

Para muitas pessoas, trabalhar depois de determinada idade não representa apenas uma necessidade financeira. Pode significar pertencimento, autonomia, convivência social, realização pessoal e a satisfação de continuar contribuindo.

Naturalmente, ninguém deveria ser obrigado a permanecer trabalhando quando deseja ou precisa descansar. Mas quem quer continuar ativo, possui condições para isso e encontra satisfação no trabalho não deveria enfrentar barreiras erguidas apenas pela data de nascimento.

Envelhecer não significa perder a capacidade de produzir, aprender, ensinar ou estabelecer relações humanas enriquecedoras.

Aliás, talvez uma das maiores riquezas de uma sociedade esteja justamente na possibilidade de reunir diferentes gerações em torno de objetivos comuns.

Não conheço a política de contratação da rede Savegnago em sua totalidade, nem sei quantos profissionais mais velhos trabalham naquela unidade. Minha observação é a de um cliente que frequenta o estabelecimento e percebeu algo positivo.

E, diante de tantas notícias ruins, de tantas demonstrações de indiferença e de tantos exemplos de preconceito etário, acredito que também precisamos aprender a reconhecer aquilo que merece aplausos.

Aquela senhora simpática no caixa e aquele senhor gentil que recolheu meu carrinho talvez nem imaginem que inspiraram estas linhas.

Mas inspiraram.

Porque, mais do que executar suas tarefas, demonstraram que a cordialidade, o respeito e o compromisso continuam sendo valores essenciais em qualquer profissão.

E porque me fizeram pensar em quantas pessoas igualmente capazes estão por aí, querendo apenas uma oportunidade para mostrar o que sabem fazer.

Se a presença desses trabalhadores na loja 35 representa uma escolha consciente de valorização da diversidade etária, que ela sirva de exemplo. Se outras empresas já fazem o mesmo, que também sejam reconhecidas. E que muitas outras compreendam a importância dessa postura.

Afinal, contratar alguém mais velho não deve ser encarado como um favor, um gesto de caridade ou uma concessão generosa.

É reconhecer competência, respeitar trajetórias e compreender que o talento humano não tem prazo de validade.

Na próxima vez que passar pelo caixa daquela senhora ou encontrar aquele senhor organizando os carrinhos, provavelmente farei minhas compras como sempre.

Mas levarei comigo a certeza de que, em meio às prateleiras, aos produtos e à correria cotidiana de um supermercado, também podemos encontrar boas lições sobre respeito, dignidade e humanidade.

E, convenhamos, são lições que não têm preço.

Renato Chimirri

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