Tempo bom era o do Carnaval na ABASC com a banda Falso Brilhante

Carnaval de 1978 na ABASC: bons tempos

 

Na semana passada comentei com a minha esposa no sábado que havia uma nostalgia no ar, porque se estivéssemos nas décadas de 70, 80 e 90 seria o dia do “grito de carnaval” na ABASC. Isso mesmo, teríamos no salão social da rua Jesuíno de Arruda um baile imenso, com mais de 5 mil pessoas e muita alegria. Normalmente, o evento sempre tinha a presença de parte da bateria de uma escola de samba famosa, assim como o show do Zézinho Mariposa (de saudosa memória) e era imprescindível a participação da Banda Falso Brilhante.

Essa banda era um show! Eles colocavam um estandarte vermelho com o nome do conjunto no palco e a diversão no baile carnavalesco era garantida em toda as noites de folia ou mesmo no pré-carnaval.

Aliás, os carnavais da ABASC era memoráveis justamente porque tinham figuras emblemáticas que faziam parte do imaginário popular são-carlense. Quem não se lembra daquele simpático senhor que percorria todo o salão usando camisas floridas e colar havaiano? Ele sempre estava com um saco de confete em suas mãos e jogava em todo mundo enquanto a festa rolava, era um prazer receber um “disparo” de tão simpática figura. Sei que ele residia ali na rua Dona Alexandrina em frente do Jardim da Catedral.

Também não dá para esquecer daquele estandarte que invadia o salão e tinha a inscrição: Bloco Aitolados- Ano (daí o número do ano era estampado). Todo mundo sabia que aquele rapaz vestido de árabe iria saudar as pessoas dentro do baile com seu estandarte revivendo uma tradição que era muito comemorada entre os foliões da ABASC. Aliás, o clube tinha a fama de ser um dos melhores carnavais do interior do Estado de SP.

Eram marchinhas, axés, sambas-enredo, brincadeiras, trenzinhos, confetes, serpentinas, brincadeiras que estão vivas na memória de milhares de pessoas que simplesmente deixaram um pouco de suas vidas naquele salão de festas tão aclamado pela população da cidade. Eram os temas mais variados, mas normalmente em ano de Copa do Mundo a maior festa do futebol era escolhida para abrilhantar os bailes.

O mais interessante em tudo isso é que ao som da banda Falso Brilhante todo mundo se divertia e depois deixava a festa para tomar uma água na rua ou então simplesmente para repor as energias e comer um tradicional cachorro-quente da Maria que sempre parava com seu indefectível carrinho na frente da sede da ABASC e vendia muitos lanches para famintos foliões são-carlenses.

A ABASC tinha o carnaval na medida certa para agradar quem não era rico o suficiente para frequentar o São Carlos Clube ou então não estava no quadro associativo do Country que tem sua sede na região da rodovia Washington Luís. Eram anos de ouro que tivemos a oportunidade de vivenciar e que infelizmente se acabaram com o tempo, para sobrar apenas uma melancólica memória de festas passadas.

O mais engraçado é que uma “amiga” (nem tanto amiga assim), uma vez disse que não iria para o Carnaval da ABASC porque viajaria para a cidade do seu amigo onde o “carnaval era forte”. Chegando lá, a coitada teve que descer a avenida principal da cidadezinha vestida de camisinha. Certamente, ela ficou com saudade das marchinhas da Banda Falso Brilhante.

Um tempo que não volta mais!

Renato Chimirri

Foto: São Carlos Antiga