Um ponto tradicional de São Carlos desaparecerá em breve e ficarão lembranças mágicas em muitas mentes

Horta foi famosa por décadas

A estimada professora Tomoko Nakaema Serikawa publicou ontem, 18, em suas redes sociais que a tradicionalíssima Horta do Japonês localizada na rua Manoel de Mattos esquina com hoje onde está a avenida Comendador Alfredo Maffei deverá encerrar suas atividades. Escreveu a professora:  “Todo este verde, vai virar um prédio.  É o progresso, minha gente. A saudade fica. A chácara, completaria 60 anos. Alimentou muita gente”.

De fato, as palavras da professora são sábias. Realmente o progresso é implacável e a saudade ficará de um lugar mágico que particularmente sempre me encantou durante toda a minha infância. Muitas vezes, na época que ainda não havia a Marginal neste trecho, eu passava com meu pai de carro pela Manoel de Mattos e ficava encantado com o tamanho da horta e sempre perguntava quem era o dono. Meu pai dizia: “Essa é a famosa Horta do Japonês!”

Eu olhava para o cultivo e ficava impressionado, achava tudo muito bonito, o verdinho das hortaliças me deixava curioso em conhecer a terra, em querer plantar alguma coisa e depois de velho fui aprender a mexer um pouquinho neste ofício.

Uma outra lembrança que tenho da Horta do Japonês é de uma senhora, também japonesa, muito simpática que andava com uma carriola e vendia verduras. Ela sempre passava na minha casa e a minha mãe, quando precisava, comprava o que ela trazia. A senhora, que acredito que era da horta, era muito gentil e sempre brincava comigo, são coisas que vieram à minha memória depois de ver a postagem da professora Tomoko.

A professora foi feliz em dizer que a horta alimentou muita gente, eu diria que alimentou gerações de pessoas e incutiu uma espécie de recado: você pode viver da terra, desde que com responsabilidade.

É evidente que os anos passam, as pessoas mudam, as realidades vão ganhando novos contornos. A oferta de produtos cresceu, as famílias vão se modificando, mas ficará uma saudade imensa desse local, da horta, da paisagem bucólica que eu via quando subia pela Manoel de Mattos no Chevette do meu pai. Das vezes que parei ali para comprar produtos que lá eram cultivados.

Só tenho a agradecer à família que por anos se dedicou e lhe desejar muita paz e sorte, além das bênçãos necessárias. Obrigado!

Renato Chimirri