
A combinação de temperaturas mais elevadas e aumento das chuvas coloca São Carlos em atenção para uma possível intensificação da proliferação do Aedes aegypti, mosquito responsável pela transmissão da dengue, Zika e chikungunya.
A Secretaria Municipal de Saúde recebeu orientações da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo para reforçar as medidas de vigilância e prevenção diante da possibilidade de crescimento das arboviroses na região da DRS de Araraquara.
O cenário exige atenção porque períodos quentes e chuvosos favorecem o acúmulo de água e aceleram o ciclo de reprodução do mosquito. Caso haja aumento da circulação dos vírus, a rede de saúde também poderá enfrentar maior procura por atendimento.
São Carlos tem queda de 97,9% nos casos de dengue
O alerta ocorre em um momento bastante diferente do vivido pela cidade em 2025.
Até a 38ª semana epidemiológica de 2026, São Carlos contabilizou 432 casos de dengue. No mesmo período de 2025, haviam sido registrados 20.429 casos.
Isso representa uma redução de 97,9% de um ano para o outro.
Apesar da melhora expressiva dos indicadores, a Vigilância em Saúde ressalta que o cenário climático não permite reduzir os cuidados.
Segundo a diretora de Vigilância em Saúde, Denise Martins Gomide, os indicadores são acompanhados semanalmente para permitir uma resposta rápida caso seja identificada alguma mudança no comportamento das arboviroses.
“O cenário atual é de redução expressiva dos casos, mas o aumento das temperaturas e das chuvas exige atenção permanente. A Vigilância em Saúde realiza o monitoramento semanal dos indicadores e mantém as ações de controle do vetor para identificar precocemente qualquer alteração na circulação das doenças. Também estamos preparados para ampliar as medidas de prevenção e articular a rede de saúde caso haja aumento da demanda”, afirma.
Calor e chuva favorecem o Aedes aegypti
O planejamento municipal considera diferentes situações associadas às condições climáticas, incluindo episódios de chuva extrema, enchentes, ondas de calor, queimadas e eventual crescimento das arboviroses.
Para enfrentar dengue, chikungunya e Zika, o município mantém ações de vigilância epidemiológica e controle do mosquito e utiliza ferramentas complementares.
Entre elas estão as Ovitrampas, utilizadas no monitoramento da presença do Aedes aegypti, e a implantação do Método Wolbachia, estratégia que utiliza mosquitos com a bactéria Wolbachia para dificultar a transmissão de determinados vírus.
“As ações de controle são permanentes e combinam diferentes estratégias. Além do monitoramento epidemiológico e do trabalho de campo, São Carlos utiliza tecnologias complementares, como as Ovitrampas, e está implantando o Método Wolbachia. A participação da população também é fundamental, porque a maior parte dos criadouros ainda está dentro ou no entorno das residências”, explica Denise.
Moradores devem fazer vistoria semanal
A prevenção dentro de casa continua sendo uma das principais armas contra o mosquito.
A orientação é reservar alguns minutos pelo menos uma vez por semana para verificar quintais, varandas, áreas de serviço, ralos e outros pontos capazes de acumular água. O cuidado deve ser redobrado depois das chuvas.
Caixas-d’água e reservatórios precisam permanecer bem fechados. Calhas devem estar limpas e desobstruídas. Garrafas devem ser guardadas com a abertura voltada para baixo, enquanto pneus, embalagens e demais objetos capazes de reter água precisam ser descartados corretamente ou mantidos protegidos da chuva.
Pratos de vasos podem receber areia. Em recipientes com plantas aquáticas, a água deve ser trocada e o recipiente lavado regularmente.
Não basta eliminar a água: é importante limpar o recipiente, pois os ovos do Aedes aegypti podem permanecer aderidos às superfícies.
Sintomas de dengue exigem atenção
Quem apresentar sintomas compatíveis com dengue deve evitar a automedicação e procurar orientação em uma unidade de saúde.
Entre os sintomas mais frequentes estão febre acima de 38°C de início repentino, dor de cabeça, dores musculares e articulares, dor atrás dos olhos, fraqueza, náuseas, vômitos, manchas avermelhadas pelo corpo e coceira.
Alguns sinais exigem atenção ainda maior, principalmente quando a febre começa a desaparecer.
Dor abdominal forte e contínua, vômitos persistentes, tontura ou desmaio, dificuldade para respirar, sangramentos, cansaço intenso ou irritabilidade podem indicar agravamento do quadro. Nessas situações, a recomendação é buscar atendimento médico imediatamente.
Embora São Carlos registre uma redução acentuada da dengue em 2026, o resultado não elimina o risco de uma nova circulação da doença. Com a chegada de um período mais quente e chuvoso, impedir que água parada se transforme em criadouro será novamente uma tarefa compartilhada entre poder público e população.


Leia mais: Homem é encontrado morto dentro de carro em frente ao Luisão








