
São Carlos deu mais um passo para consolidar sua vocação como polo de ciência e tecnologia. Representantes da Prefeitura, do Governo do Estado, da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) se reuniram na quinta-feira (1º) para discutir os próximos passos para a implantação do Distrito de Inovação de São Carlos.
O encontro ocorreu no gabinete do prefeito Netto Donato e marcou o início da formação da coalizão entre as instituições consideradas âncoras do projeto, uma das etapas previstas na Política Estadual de Distritos de Inovação.
A proposta é articular Prefeitura, universidades e Governo do Estado para a formalização de um protocolo e, a partir dele, avançar gradualmente na estruturação do Distrito de Inovação.
O que será o Distrito de Inovação de São Carlos?
Apesar do nome, o projeto não prevê simplesmente a construção de um novo espaço físico ou de um complexo isolado destinado à tecnologia.
Segundo o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Vahan Agopian, o conceito é justamente integrar estruturas e competências que São Carlos já possui, criando maior sinergia entre universidades, centros de pesquisa, empresas e poder público.
“É utilizar o que existe com sinergia, juntando os esforços”, explicou Agopian.
São Carlos reúne universidades, pesquisadores, empresas de tecnologia e instituições científicas, e a intenção é ampliar a conexão entre esses diferentes setores.
Inicialmente, USP e UFSCar integram o processo. A expectativa é que, posteriormente, sejam incorporados centros de pesquisa, parques tecnológicos, empresas e outras organizações relacionadas à ciência, tecnologia e inovação.
Primeira etapa reúne instituições
A secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Paula Knoff, explicou que o projeto ainda está em sua fase inicial.
“Estamos numa primeira fase, que é um processo de coalizão das instituições âncora do município para a estruturação progressiva das etapas que vamos desenvolver”, afirmou.
Segundo ela, a formação dessa coalizão pretende colocar os diferentes participantes do ecossistema científico e tecnológico de São Carlos na mesma discussão.
“É aproximar todos os atores que participam desse processo de conhecimento, inovação, ciência e tecnologia do município para que todos sentem e discutam a política do distrito”, acrescentou.
Universidades participam da construção do projeto
A vice-reitora da UFSCar, Maria Jesus Dutra dos Reis, destacou que a aproximação entre universidade e município pode permitir que o conhecimento científico resulte em benefícios mais perceptíveis para a sociedade.
“Estamos em São Carlos, por São Carlos e com São Carlos”, afirmou.
Representando a USP, o pró-reitor adjunto de Inovação, Norberto Pepporini Lopes, classificou a implantação do distrito como uma oportunidade para o município. Entre as possibilidades apontadas estão a atração de empresas, o desenvolvimento do turismo científico e a ampliação do impacto social das pesquisas acadêmicas.
O assessor de inovação da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação da USP, Tito Bonagamba, também ressaltou a trajetória científica do município.
“O Distrito de Inovação coloca São Carlos em outro patamar de organização”, afirmou.
A expectativa é facilitar a transferência do conhecimento produzido nas universidades e instituições científicas para aplicações capazes de contribuir com o desenvolvimento econômico e social.
Projeto pode envolver empresas e cidades inteligentes
O diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, André de Aquino, ressaltou que a proposta não deverá ficar restrita à criação de oportunidades empresariais.
“O Distrito de Inovação é um projeto coletivo de grandes organizações de ciência e tecnologia”, afirmou.
Segundo Aquino, o modelo também pode estimular projetos relacionados a cidades inteligentes, transformações urbanas e tecnológicas, novos negócios e melhoria dos serviços públicos.
Outro objetivo é estabelecer uma governança capaz de garantir continuidade ao projeto independentemente das mudanças nas administrações públicas.
“Esse é um projeto de Estado”, disse Aquino.
Emprego, renda e desenvolvimento
O assessor do prefeito José Galízia Tundisi avaliou que a aproximação entre universidades e empresas poderá fortalecer um modelo de desenvolvimento fundamentado em ciência e tecnologia.
“Esse distrito vai produzir uma sinergia entre as universidades e as empresas”, afirmou.
Entre os resultados esperados estão estímulos à inovação e à geração de emprego e renda.
Ao final do encontro, Netto Donato classificou a reunião como um marco na construção do projeto.
“É um momento histórico”, declarou o prefeito.
Segundo Donato, a intenção é fazer com que os resultados dessa articulação ultrapassem os ambientes acadêmicos e empresariais e cheguem ao cotidiano dos moradores.
“Essa é uma política para São Carlos”, afirmou.
A expectativa apresentada pela Prefeitura é que a integração entre universidades, empresas e poder público possa produzir, ao longo do desenvolvimento do Distrito de Inovação, impactos em áreas como saúde, educação, mobilidade urbana, geração de empregos e desenvolvimento econômico.


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