Morre Carlos Monforte, jornalista que marcou época na TV Brasileira

Ele tinha 77 anos

O jornalismo brasileiro perdeu nesta segunda-feira, 31 de agosto, um profissional que acompanhou de perto importantes capítulos da política nacional e participou da consolidação dos telejornais matinais no país. Carlos Monforte morreu aos 77 anos, em Brasília, depois de uma carreira que atravessou jornal impresso, televisão aberta e canais de notícias.

A morte foi confirmada pela família à Globo. A causa não foi informada oficialmente. Segundo informação publicada pelo UOL, Monforte realizava tratamento contra um câncer.

Para diferentes gerações de telespectadores, seu nome ficou especialmente associado ao Bom Dia Brasil, programa que ajudou a comandar desde os primeiros anos.

De Santos para as grandes redações do país

Antes de se tornar um rosto conhecido na televisão, Monforte construiu sua formação profissional no jornalismo impresso.

Nascido em Santos, em 1949, começou a trabalhar no jornal A Tribuna quando ainda cursava Jornalismo. Formou-se em 1972 e também passou pela área de comunicação do governo paulista e pela reportagem de O Estado de S. Paulo.

A televisão entraria definitivamente em sua trajetória em 1978, quando foi contratado pela Globo em São Paulo.

Inicialmente dedicado à reportagem local, passou a produzir conteúdo para atrações de alcance nacional, entre elas o Jornal Nacional e o Fantástico. A experiência com política, que se tornaria uma das principais características de sua carreira, ganhou ainda mais espaço nos anos seguintes.

Monforte esteve na criação do Bom Dia Brasil

Em 1982, Carlos Monforte assumiu a editoria de Política do Jornal da Globo e também passou a trabalhar como editor e apresentador do Bom Dia São Paulo.

No ano seguinte veio um dos capítulos mais importantes de sua carreira.

Quando o Bom Dia Brasil estreou, em janeiro de 1983, Monforte assumiu simultaneamente as funções de apresentador e editor-chefe. Permaneceu à frente do telejornal durante nove anos.

Era uma época em que o Brasil atravessava profundas transformações políticas. A experiência acumulada nessa área ajudaria a conduzir boa parte dos passos seguintes de sua vida profissional.

Brasília virou parte fundamental da carreira

Monforte também estabeleceu uma forte ligação profissional com Brasília.

Depois de deixar temporariamente a Globo em 1992 para estruturar a área de Comunicação da Confederação Nacional da Indústria (CNI), retornou à televisão em 1994. Passou novamente pela reportagem política e, em 1996, voltou ao Bom Dia Brasil, desta vez como âncora diretamente da capital federal.

A partir do final dos anos 1990, sua presença também se tornou frequente na GloboNews. Monforte participou do Espaço Aberto, apresentou o Jornal das Dez e assumiu funções de coordenação do canal em Brasília.

Sua trajetória na Globo chegou ao fim em 2016, depois de quase quatro décadas ligadas à emissora.

Das redações tradicionais à transformação digital

Mesmo depois de deixar a televisão, Monforte continuou ligado às discussões sobre os rumos da profissão.

Em 2022, lançou “O Papel do Jornalismo sem Papel”, obra voltada às mudanças provocadas pela tecnologia e pela digitalização das redações.

Sua trajetória acabou acompanhando justamente essa transformação: começou quando o jornal impresso ainda ocupava posição central na informação dos brasileiros, participou da expansão e consolidação do telejornalismo e chegou à era em que celulares, redes sociais e plataformas digitais alteraram profundamente a maneira de produzir e consumir notícias.

Carlos Monforte deixa como marca uma carreira fortemente associada ao jornalismo político, à televisão e à cobertura de Brasília, além de sua participação nos primeiros anos de um dos telejornais mais tradicionais da TV brasileira.