Paulo César Scanavez: o juiz que nunca precisou de um pedestal para ser grande

Na quinta-feira, 15 de outubro, Paulo César Scanavez tomou posse administrativa como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo
Na quinta-feira, 15 de outubro, Paulo César Scanavez tomou posse administrativa como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo

Há mais de 25 anos conheço o Dr. Paulo César Scanavez. E, nesse tempo todo, aprendi que existem homens que engrandecem os cargos que ocupam, e não o contrário. Sua chegada ao Tribunal de Justiça de São Paulo é o reconhecimento de uma trajetória construída com dignidade, humanidade e respeito às pessoas.

Há uma diferença enorme entre ocupar um lugar de autoridade e fazer da autoridade um instrumento de aproximação com as pessoas. Há quem precise da imponência de um gabinete, da formalidade de uma toga ou da distância de um cargo para se sentir importante. E há aqueles que, mesmo ocupando posições de enorme responsabilidade, jamais se esquecem de que, antes de qualquer título, são seres humanos.

O Dr. Paulo César Scanavez pertence, sem dúvida, a esse segundo grupo.

Conheço Scanavez há mais de 25 anos. Tempo suficiente para observar não apenas o magistrado, mas, sobretudo, o homem que existe por trás da toga. E posso afirmar, com a tranquilidade de quem acompanhou essa caminhada por mais de duas décadas, que poucas pessoas conseguem reunir, com tamanha naturalidade, a seriedade de um juiz e a simplicidade de alguém que nunca deixou de estar próximo da comunidade.

Scanavez nunca precisou subir em um pedestal para demonstrar a importância da Justiça. Pelo contrário. Sempre compreendeu que a verdadeira grandeza de um magistrado não está na distância que mantém das pessoas, mas na capacidade de ouvi-las, respeitá-las e reconhecer a humanidade presente em cada história.

É um homem probo. Uma palavra que talvez tenha perdido espaço no vocabulário cotidiano, mas que continua carregando um significado extraordinário: integridade, retidão, honestidade de princípios.

E, em tempos nos quais tantas pessoas confundem autoridade com arrogância, encontrar alguém que exerça uma função tão importante sem perder a acessibilidade é algo que merece ser celebrado.

Ao longo desses anos, sempre enxerguei em Scanavez uma preocupação sincera com a democracia. Não aquela democracia dos discursos prontos, das frases de ocasião ou das solenidades. Mas a democracia que se constrói no respeito às instituições, na convivência com as diferenças e na compreensão de que a Justiça existe para servir à sociedade.

Nunca foi, aos meus olhos, um magistrado isolado em uma torre de formalidades.

Sempre esteve no meio do povo.

Sempre foi alguém com quem se podia conversar.

E isso, para mim, diz muito sobre seu caráter.

Na quinta-feira, 15 de outubro, Paulo César Scanavez tomou posse administrativa como desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo. A cerimônia, realizada na sede do TJSP, na capital paulista, reuniu 17 magistrados promovidos ao cargo.

Até então, Scanavez era juiz titular da 1ª Vara da Família e das Sucessões da Comarca de São Carlos, uma área do Direito que lida diariamente com algumas das situações mais delicadas da existência humana: separações, conflitos familiares, perdas, heranças e decisões capazes de transformar destinos.

É uma atividade que exige conhecimento jurídico, equilíbrio e sensibilidade.

Sua promoção, aprovada pelo Órgão Especial do Tribunal pelo critério de antiguidade, para ocupar uma vaga decorrente de aposentadoria, representa uma nova etapa de sua carreira.

Mas, para quem o conhece há tanto tempo, existe algo nessa conquista que ultrapassa os aspectos administrativos.

O desembargador que agora chega ao Tribunal é o mesmo Paulo César Scanavez que sempre soube conversar com as pessoas sem olhar para elas de cima para baixo.

E talvez essa seja uma das maiores virtudes que um homem público possa carregar.

Porque títulos mudam. Gabinetes mudam. As responsabilidades aumentam. Os corredores ficam mais solenes, os julgamentos assumem outras dimensões e a carreira alcança novos patamares.

Mas o caráter permanece.

E o caráter de um homem não se mede pela altura da cadeira em que ele se senta, mas pela maneira como trata aqueles que estão diante dele.

Ao longo da vida, conhecemos pessoas que deixam impressões passageiras. Outras deixam lembranças. Algumas, porém, deixam ensinamentos sem sequer perceber.

Scanavez pertence a essa última categoria.

Sua postura demonstra que firmeza não precisa ser sinônimo de frieza. Que respeito não se conquista pelo medo. Que a autoridade pode caminhar de mãos dadas com a cordialidade. E que a Justiça, embora deva ser rigorosa na aplicação da lei, jamais precisa perder sua dimensão humana.

São Carlos teve o privilégio de contar com sua atuação na magistratura.

Agora, o Tribunal de Justiça de São Paulo recebe um profissional cuja trajetória conheço e respeito profundamente.

Não escrevo estas palavras por obrigação, formalidade ou conveniência. Escrevo porque, depois de mais de um quarto de século de convivência, considero justo reconhecer publicamente as qualidades de alguém que sempre demonstrou respeito pela comunidade, pelas instituições e pelas pessoas.

Há homenagens que são feitas por causa de um cargo.

Esta é diferente.

É uma homenagem ao homem.

Ao cidadão.

Ao magistrado que nunca confundiu a toga com uma armadura destinada a afastá-lo da sociedade.

Dr. Paulo César Scanavez, sua promoção é merecida. Mas existe algo ainda mais importante: o senhor chega ao novo cargo levando consigo o respeito de quem conheceu sua trajetória muito antes de sua nomeação como desembargador.

E isso não se conquista por antiguidade, por decreto ou por decisão de um tribunal.

Conquista-se com uma vida inteira de atitudes.

Parabéns por essa nova etapa.

Que o Tribunal de Justiça de São Paulo encontre no desembargador a mesma humanidade que São Carlos conheceu no juiz.

Porque, no fim das contas, a verdadeira grandeza de um homem não está no lugar aonde ele consegue chegar.

Está na capacidade de continuar sendo o mesmo homem quando chega lá.

Renato Chimirri

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