
Há dias em que o tempo é um animal preguiçoso, que se arrasta pelos minutos como quem não tem pressa de chegar. Desde que você partiu, ele se tornou meu maior desafeto. Olho o relógio e ele parece zombar de mim, como se dissesse: “Ainda não é hora.”
No canto da mesa, um papel amarelado guarda palavras suas, escritas em caligrafia que o tempo não conseguiu apagar. Já li tantas vezes que sei de cor, mas ainda sinto o arrepio da primeira leitura. É como se cada letra fosse uma fagulha acesa, mesmo no frio dessa distância.
Saio para caminhar. Conto passos, me distraio com as fachadas da rua, mas tudo parece uma preparação para algo que ainda não chegou. Carrego essa sensação de que estou perto — não geograficamente, mas perto do instante exato em que o vazio vai deixar de existir.
Quando penso em você, o mundo parece se alinhar. É como se o caos encontrasse sentido, como se as marés obedecessem a uma força invisível. Você é a maré, e eu sou o rio que corre em sua direção. Não importa o caminho que a água percorra, sei que o destino é se misturar, perder fronteiras, virar um só.
Às vezes, imagino que você vai bater à minha porta de repente, sem avisar. E que no seu olhar vai estar a resposta para cada dia de espera. Nessa hora, não vou perguntar nada. Só vou entender.
Porque eu só parto quando for para estar ao seu lado. Só sigo quando sei que o fim da estrada é você. Até lá, permaneço aqui — o rio paciente, esperando o mar.
Por Diego Moraes.









