Parceria entre UFSCar e Tecumseh busca aprimorar imãs de terras raras

Parceria entre UFSCar e Tecumseh busca aprimorar imãs de terras raras
Parceria entre UFSCar e Tecumseh busca aprimorar imãs de terras raras

Tecumseh e UFSCar são parceiras. As terras raras estão no centro de disputas geopolíticas globais, com participação importante do Brasil, detentor da segunda maior reserva mundial desses minerais essenciais ao desenvolvimento de tecnologias aplicadas em carros elétricos, turbinas eólicas e eletroeletrônicos, dentre outras. No País, além de questões ambientais, o debate está relacionado à escolha entre seguir sendo exportador de matéria-prima ou investir em Ciência e Tecnologia para produção nacional dessas tecnologias. Em São Carlos, parceria entre a UFSCar e a empresa Tecumseh, por meio da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), busca contribuir para o segundo caminho, pela possibilidade de produção nacional e aprimoramento dos imãs de neodímio (um dos 17 elementos químicos que compões as chamadas terras raras), utilizados nos compressores produzidos pela empresa.

A Tecumseh, com origem nos Estados Unidos, foi a pioneira na fabricação de sistemas de refrigeração baseados em compressores herméticos, em 1934. Desde então, apesar de inovações tecnológicas, o conceito permanece o mesmo, e o projeto na parceria com a UFSCar tem como objetivo justamente avançar em novas possibilidades, a partir do estudo aprofundado das propriedades magnéticas e estruturais dos materiais empregados hoje. O projeto, coordenado por Adilson Jesus Aparecido de Oliveira, docente no Departamento de Física (DF) da UFSCar, está vinculado à Unidade Embrapii-UFSCar Materiais.

A ideia, além de produzir os imãs no Brasil, é buscar seu aprimoramento, visando especialmente maior eficiência energética dos motores usados nos compressores. Alguns desafios são a ampliação do campo magnético – e consequente possibilidade de diminuição do tamanho e peso dos compressores – e o aumento do limite de temperatura a partir do qual os imãs desmagnetizam, ampliando assim a sua janela de uso, ou seja, o rol de aplicações possíveis.

A Tecumseh é a maior produtora de compressores rotativos do tipo “inverter” no hemisfério ocidental e, no Brasil, tem suas duas plantas em São Carlos, que juntas constituem a maior indústria instalada no Município, com cerca de dois mil funcionários. “Ficamos felizes em compartilhar com a Universidade uma necessidade de mercado. Conciliamos assim P&D [Pesquisa e Desenvolvimento] avançado com uma aplicação em produto futura”, registra Homero Cremm Busnelli, Diretor de Relações Institucionais da empresa. “Essa experiência certamente abrirá oportunidades de outras pesquisas com novos materiais nos anos que se avizinham”, complementa. 

“É uma iniciativa pioneira na Tecumseh de desenvolvimento de uma tecnologia fora da empresa, depois de um longo período de diálogo e negociações conosco na UFSCar. Sem dúvida é algo que nos orgulha e, mais uma vez, atesta o cenário único que temos em São Carlos, com suas universidades e, agora, também com o modelo de parceria oportunizado pela Embrapii”, celebra o Diretor da Unidade Embrapii-UFSCar, Ernesto Chaves Pereira.

Além de Adilson de Oliveira na coordenação, a equipe do projeto conta com o também docente do Departamento de Física Alexandre José Gualdi e, do Departamento de Engenharia de Materiais, com os docentes Lucas Barcelos Otani e Francisco Gil Coury. “Eu e o Alexandre somos especialistas em magnetismo, Lucas e Francisco em ligas metálicas. Essa interdisciplinaridade é um destaque no projeto, junto com o fato de que se trata de trabalho, inicialmente, em Ciência básica. Ou seja, não é só a aplicação que encontra espaço na Embrapii, o desenvolvimento de conhecimento fundamental é compreendido como indispensável à possibilidade de, diante de desafios futuros, inclusive os ainda desconhecidos, estarmos preparados para seu enfrentamento”, avalia Oliveira.

Tecumseh e UFSCar: projeto até 2027

A previsão de duração do projeto é até o final de 2027, quando deve poder ser iniciada na empresa uma segunda fase, de produção piloto dos imãs a partir dos novos conceitos propostos na parceria com a UFSCar, em estudo de viabilidade de manufatura em pequena escala. Além dos docentes, a equipe envolve pesquisadores de pós-doutorado e estudantes de graduação, levando também a resultados importantes na formação de pessoas.

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