Saiba como se formou a tempestade de areia que atingiu São Carlos e fez muitos estragos

Tempestade de areia e poeira no Embaré
Tempestade de areia e poeira no Embaré

No último sábado, 24 de agosto, São Carlos foi atingida por uma tempestade de areia que surpreendeu seus moradores. Segundo Pedro Caballero, diretor da Defesa Civil da cidade, o fenômeno foi resultado da combinação de materiais particulados provenientes de queimadas na vegetação local e em diversas áreas do estado de São Paulo. Além disso, o vento norte trouxe partículas da região amazônica e do Pantanal, onde queimadas em grandes extensões também estão ocorrendo.

Os materiais particulados e gasosos, que compõem a poluição, incluem fuligem e partículas de carbono negro, resultantes de combustão incompleta de matéria orgânica. A fuligem, que se assemelha a folhas de papel queimadas, é composta de pequenas partículas de carbono (CO2 e vapor de água), hidrocarbonetos, metais pesados e outros poluentes orgânicos que se decompõem em incêndios de resíduos diversos.

Caballero explica que, em São Carlos, a tempestade de areia foi intensificada pelo solo, composto de areia fina e latossolo, que se elevou às camadas superiores da atmosfera devido aos ventos sul ou oeste. As partículas ficaram em suspensão, sendo levadas por correntes térmicas, que se elevam ao serem aquecidas. Essa combinação de fatores não é comum na cidade, que normalmente não apresenta tempestades de areia como as observadas em desertos, onde o fenômeno é mais frequente, mas sem os componentes adicionais da poluição.

O impacto das queimadas foi significativo. Apenas no dia 24, o Corpo de Bombeiros de São Carlos atendeu a 90 chamados de incêndios em vegetação. Nos dias 22 e 23, dezenas de focos de incêndio também foram registrados na região. Além disso, as condições climáticas dos últimos 15 dias, com temperaturas extremas próximas aos 32 graus e umidade relativa do ar abaixo de 20%, contribuíram para um ambiente insalubre, aumentando os casos de problemas respiratórios, especialmente entre crianças e idosos.

O diretor da Defesa Civil esclareceu ainda que as tempestades de frente fria, comuns nesta época do ano, ocorrem devido ao deslocamento de massas de ar frio vindas do polo sul. Essas massas de ar, mais densas e de baixa pressão, empurram o ar quente de alta pressão que estava sobre o estado de São Paulo, causando ventos intensos e instabilidade atmosférica. Em São Carlos, as tempestades de frente fria são geralmente marcadas pela ausência de nuvens cumulus-nimbus, que causam chuvas no verão. Em vez disso, as frentes frias provocam movimentos descendentes na troposfera, a 2 ou 3 km acima das copas das árvores, gerando ventos intensos de oeste ou noroeste.

Após a entrada da frente fria, que causa ventos de até 50 km/h e queda de árvores, ocorre uma precipitação leve, entre 3 e 15 mm, que recolhe as partículas em suspensão. Essa chuva é geralmente seguida por uma queda acentuada de temperatura, caracterizando a chegada da frente fria, que pode durar de 4 a 6 dias.

Caballero finaliza seu artigo destacando a importância de estar preparado para os efeitos das mudanças climáticas (como a tempestade de areia) e dos eventos meteorológicos extremos, que podem impactar significativamente a saúde e a segurança da população.

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