
O primeiro dia da greve dos servidores municipais de São Carlos, deflagrada nesta segunda-feira (13), foi marcado pela adesão da categoria, segundo o sindicato, mobilização nas ruas e cobrança por diálogo com a administração municipal.
De acordo com o vice-presidente do SINDSPAM, Lucinei Alves Custódio, conhecido como Nei, o movimento teve participação expressiva logo nas primeiras horas.
Os servidores se concentraram na Praça dos Voluntários, onde realizaram uma assembleia aberta com espaço para manifestações dos trabalhadores. O ato contou ainda com o apoio de representantes de outros sindicatos, ampliando a mobilização.
Na sequência, os grevistas seguiram em caminhada pela Avenida São Carlos até o prédio da Prefeitura, onde solicitaram a reabertura das negociações. Uma comissão foi recebida por representantes do governo municipal, incluindo secretários, já que o prefeito não participou do encontro.
Segundo o sindicato, a reunião se estendeu por cerca de duas horas, período em que foram apresentadas e debatidas as reivindicações da categoria. A administração se comprometeu a encaminhar uma contraproposta ainda nesta segunda-feira, o que não havia ocorrido até o fim da tarde.
Diante da ausência de retorno, a greve foi mantida. Os servidores devem se reunir novamente nesta terça-feira (14), em novo ato na Praça dos Voluntários, enquanto aguardam um posicionamento oficial da Prefeitura para levar à deliberação em assembleia.
Reivindicações da greve e impasse
A principal pauta da categoria é o reajuste salarial mínimo de 7%, índice que inclui a reposição da inflação medida pelo IPCA (3,81%) e um aumento real de 3,19%, como forma de recompor perdas e valorizar os servidores.
Por outro lado, a Prefeitura, sob gestão do prefeito Netto Donato, apresentou proposta de reajuste de 3,81%, equivalente apenas à inflação acumulada nos últimos 12 meses, conforme dados do IBGE entre março de 2025 e fevereiro de 2026.
Além do salário, o Executivo propôs mudanças nos benefícios. Entre elas, a substituição da cesta básica por um vale-alimentação de R$ 400, com descontos proporcionais conforme a faixa salarial, e o reajuste do ticket-refeição de R$ 1.200 para R$ 1.260.
Apesar do aumento nominal de R$ 60 no vale-refeição, o sindicato aponta que R$ 46 correspondem apenas à reposição inflacionária, restando um ganho real de R$ 14. A proposta foi rejeitada por unanimidade em assembleia realizada na última semana, o que levou à paralisação.
Serviços essenciais mantidos
O SINDSPAM informou que os serviços essenciais continuam em funcionamento, incluindo atendimentos em unidades de saúde como UPA e SAMU, além da Guarda Municipal, farmácias públicas e os sistemas de tratamento de água e esgoto.
Nos demais setores, a paralisação tende a ser ampla, com manutenção de cerca de 50% do efetivo apenas nas áreas consideradas essenciais.
A expectativa agora é pela apresentação de uma contraproposta por parte da Prefeitura, que possa ser avaliada pelos servidores e, eventualmente, encerrar o movimento grevista.
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