Peste pneumônica mobiliza autoridades; entenda o que se sabe sobre a doença

Peste mobiliza autoridades
Peste mobiliza autoridades

A morte de uma funcionária de um instituto especializado no estudo da peste, na Sibéria, colocou autoridades sanitárias da Rússia e organismos internacionais em alerta nos últimos dias. O caso levantou a suspeita de peste pneumônica, uma forma rara e grave da doença, mas até esta terça-feira (6) não há confirmação de que a pesquisadora tenha morrido em consequência da bactéria nem evidências de um surto.

A mulher, de 28 anos, trabalhava no Instituto de Pesquisa Antipeste de Irkutsk, na região da Sibéria. Ela morreu na sexta-feira (2), depois de desenvolver uma pneumonia cuja origem permanece sob investigação.

A possibilidade de peste pneumônica ganhou repercussão depois de informações associarem a doença da funcionária ao trabalho desenvolvido no instituto, que atua com microrganismos considerados perigosos.

A agência sanitária russa Rospotrebnadzor, porém, informou que os exames realizados não detectaram nas amostras da funcionária microrganismos relacionados às atividades profissionais desenvolvidas no laboratório.

Pessoas que tiveram contato com a peste estão sendo acompanhadas

Diante da gravidade potencial da situação, as autoridades adotaram medidas preventivas e identificaram pessoas que tiveram contato com a funcionária.

Esses contatos passaram por acompanhamento médico e exames laboratoriais. Segundo informações divulgadas pelas autoridades russas, não foram identificados casos de peste entre essas pessoas.

Os exames encontraram dois casos de Covid-19 e outros dois de infecção por rinovírus, mas não houve detecção de agentes relacionados a outras doenças infecciosas consideradas perigosas.

Um hospital de Shelekhov, cidade próxima a Irkutsk onde a mulher foi atendida, também adotou medidas preventivas enquanto o episódio era investigado.

OMS acompanha situação na Rússia

A repercussão ultrapassou as fronteiras russas. Organismos internacionais de saúde passaram a acompanhar o caso e as informações fornecidas pelas autoridades locais.

Até o momento, entretanto, não há indicação de disseminação da peste entre a população.

O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC) também acompanha a situação. As informações disponíveis não apontam casos secundários nem evidências de transmissão sustentada entre pessoas.

O que é a peste pneumônica?

A peste é uma doença infecciosa causada pela bactéria Yersinia pestis, historicamente associada a grandes epidemias, entre elas a chamada Peste Negra.

A doença pode apresentar diferentes formas clínicas. Na peste bubônica, uma das mais conhecidas, ocorre principalmente o comprometimento dos gânglios linfáticos. Na peste pneumônica, a infecção atinge os pulmões.

Essa forma exige atenção porque pode ocorrer transmissão entre pessoas por gotículas respiratórias, especialmente em situações de contato próximo com uma pessoa infectada e sintomática.

Entre os possíveis sintomas estão febre, fraqueza, dor de cabeça, tosse, dor no peito e dificuldade para respirar.

Apesar da associação histórica da peste com epidemias devastadoras, a realidade médica atual é muito diferente daquela de séculos atrás. A peste é uma doença bacteriana e pode ser tratada com antibióticos, sendo fundamental que o diagnóstico e o tratamento ocorram rapidamente.

Há risco de uma nova pandemia?

As informações disponíveis até agora não sustentam esse cenário.

Não existe confirmação de um surto de peste pneumônica na Rússia, não foram registrados casos secundários associados ao episódio e não há evidências de transmissão sustentada entre pessoas.

A transmissão da peste pneumônica também está associada principalmente ao contato próximo com uma pessoa infectada que esteja apresentando sintomas respiratórios.

Por isso, embora a investigação esteja sendo acompanhada com atenção devido à gravidade potencial da doença, o episódio registrado na Sibéria não deve ser tratado, neste momento, como uma nova emergência sanitária mundial.

Investigação continua

O ponto central da investigação permanece sendo determinar o que provocou a pneumonia que levou à morte da funcionária do instituto.

As autoridades russas afirmam que não encontraram evidências de contaminação por agentes relacionados ao trabalho desenvolvido no laboratório e que não foram identificados novos casos de peste associados ao episódio.

Enquanto a investigação prossegue, autoridades sanitárias russas e organismos internacionais continuam acompanhando a situação.

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