
A Prefeitura de São Carlos, por meio da Secretaria de Clima e Meio Ambiente, apresentou, na manhã desta terça-feira (02/06), o Plano Municipal de Arborização Urbana, elaborado em parceria entre o município e a Esalq/USP. O diagnóstico revelou que a cidade possui cerca de 33 mil árvores distribuídas pela malha viária, com densidade média de 29,84 árvores por quilômetro, mas ainda enfrenta um déficit significativo: 59,4% das calçadas vistoriadas estão sem árvores, o que representa mais de 1.200 berços vazios apenas na amostra inicial.
Esse déficit não é apenas paisagístico, mas uma oportunidade de expansão ecológica capaz de reduzir ilhas de calor e melhorar a drenagem urbana. Mesmo com carência, o patrimônio verde atual já presta serviços ambientais expressivos, como a retenção de 1.029,6 m³ de água por evento de 20 mm de chuva, a geração de 51,48 hectares de sombreamento equivalente a 51.480 aparelhos de ar-condicionado, a fixação de 7.341,84 toneladas de carbono e a filtração de 7,72 toneladas anuais de poluentes atmosféricos. Algumas vias se destacam como verdadeiras artérias verdes, entre elas a Avenida Comendador Alfredo Maffei, com 523 árvores e retenção de 16.317 litros de água por chuva, e a Rua Miguel Petroni, com 456 árvores e retenção de 14.227 litros; juntas, essas duas vias interceptam mais de 30 mil litros de água pluvial por tempestade. Outras avenidas como Francisco Pereira Lopes, Getúlio Vargas e Ray Wesley Herrick também figuram entre as mais arborizadas. Em contrapartida, regiões como a área central, a Zona Sul — especialmente nos bairros novos com menos de 15% de cobertura arbórea —, a Zona Oeste e a região industrial apresentam déficit severo e foram classificadas como prioritárias para receber novos plantios. O plano prevê a meta de alcançar 94 mil árvores em até oito anos, com prioridade inicial para um terço das mudas nas áreas mais quentes da cidade.
Para viabilizar esse objetivo, São Carlos busca recursos federais, incluindo parte dos R$ 19 milhões disponibilizados para projetos ambientais urbanos. A coordenadora regional de ensino, Débora Gonzalez Costa Blanco, participou da apresentação do Plano e destacou o papel das escolas. “Nós participamos desde o início das audiências públicas e estamos muito felizes de envolver os jovens. Os estudantes são embaixadores ambientais e disseminadores de informação. É fundamental que aprendam a respeitar cada árvore como uma vida importante”.
Já o secretário de Clima e Meio Ambiente, Júnior Zanquim, reforçou a meta ambiciosa. “Temos o desafio de plantar quase 100 mil mudas em cinco anos. Isso exige berços aprofundados para evitar danos às calçadas e conscientização da população. Árvores não são sujeira, são infraestrutura vital contra o aquecimento global”.
O professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, coordenador do plano pela Esalq/USP, sintetizou o desafio. “Não é apenas plantar árvores, é mudar a forma como a cidade respira, se refresca e se protege contra os extremos climáticos”.
O vice-prefeito Roselei Françoso ressaltou o rigor técnico do plano. “Ele define o tipo de árvore, o porte adequado, o local de plantio e o distanciamento, evitando problemas como plantar um ipê debaixo da fiação. É um plano de primeiro mundo, construído por especialistas e pela sociedade. O Plano de Arborização Urbana de São Carlos é uma estratégia de resiliência climática e infraestrutura verde inteligente. Com participação popular, apoio científico e envolvimento das escolas, a cidade pode se tornar referência nacional em sustentabilidade, transformando o concreto em ecossistema e consolidando-se como modelo de cidade-esponja no Brasil”, afirmou.



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